quinta-feira, outubro 08, 2009

Nordestinados eles não são



Um sotaque melodicamente cantado, como em qualquer outro exprime certa particularidade de seus falantes. Além de um sotaque forte, outras peculiaridades são bem notórias na história, no jeito do povo, e nas tradições dos nordestinos.

O nordeste é a região mais antiga do Brasil considerando a chegada dos europeus em nosso território, que para manter o seu poder e privilégios, fizeram da região a mais efetiva contribuidora para as necessidades de força de trabalho da economia nacional.

A força, a coragem e a alegria do nordeste foram perpetuadas por escritores que puseram essa realidade em evidência, juntamente com todas as denúncias das injustiças sociais. Um dos exemplos da luta contra a indiscriminada exploração humana e a opressora brutalidade da elite nordestina foi A Guerra de Canudos denunciada no livro de Os Sertões, escrito por Euclides da Cunha. Outra obra literária com foco na vida nordestina é Vidas Secas de Graciliano Ramos, que retrata a precariedade e os sonhos de uma família típica do sertão.

Apesar de todas as citações problemáticas, esse povo tem uma hospitalidade descomunal e praias deslumbrantes, que só vão trazendo aumento de visitas turísticas e a propagação de seus costumes como as vaquejadas, as feiras repletas de artesanatos, as apresentações de repentistas e de sanfoneiros cantando e tocando músicas refletoras da descontração, irreverência e da realidade nordestina, dentre muitas composições a mais famosa é Asa Branca de Luiz Gonzaga.

Caboclos, sertanejos e vaqueiros são os símbolos dos aspectos étnicos da população nordestina composta da miscigenação de brancos, negros e mestiços. Todos eles recebem estrangeiros do mundo inteiro na comemoração de várias festas populares fora de época, e aproveitam uma das melhores tradições; a culinária, inclusive a maior parte de bons chefes de cozinha vem de terras nordestinas. Na culinária eu pessoalmente destaco a carne-de-sol (jabá), a cocada e o quindim.

Todas essas “delícias nordestinas” deveriam ser mais valorizadas, pois demonstram um nordeste que merece ser muito mais lembrado como uma região de eminente crescimento em potencial, por virtude de sua riqueza humana que é o que transcende todas as suas cicatrizes históricas.