terça-feira, abril 28, 2015

Hoje não é o meu dia

Semana passada, eu estava no Brás, um lugar conhecido por ter roupas mais baratas e de qualidade, depende da loja em que você for, é possível comprar bastante roupa bonita e boa por um preço acessível, ou relativamente justo.
Lá estava eu, em uma das ruas mais movimentadas do Brás, na minha opinião. É nessa rua, que a minha mãe tem uma banca de roupas infantis com a permissão da prefeitura. Quem não tem autorização vende as coisas na mão, e várias vezes durante o dia precisa correr do rapa, que são os policiais que fiscalizam as ruas apreendendo os produtos ilegais. Eu ajudo a minha mãe na banca, esse está sendo o meu trabalho atual. Lá na rua acabei conhecendo outros autônomos, a senhora do lado esquerdo, que aluga o ponto para a minha mãe, e o seu Severino, o dono da banca de sandálias e sapatos do meu lado direito. Eu fico lá conversando com ele de vez em quando.
Nesse dia, chegou uma mulher com duas companhias, um homem e outra mulher, na banca do seu Severino no momento em que eu estava lá.
Eu resolvi atender esses clientes, como eu já havia feito outras vezes:
- Oi tudo bem? - eu disse solícito.
- Quanto custa essa sandália? - pergunta a mulher que estava no meio. Era magra, branca, com os cabelos pretos amarrados e segurava algumas sacolas nas mãos.
- Está barata!! Eu quero ver você levar hein - avisei empolgado.
- Ai moço, hoje não é o meu dia - disse a mulher em um tom de reprovação.
- Hoje é o seu dia sim! Eu quero ver você comprar essa sandália com os meus olhos que a terra há de comer, a sandália custa só 25 reais - respondi.
- É melhor você concordar que não é o dia dela hein - me avisou o homem que a acompanhava, em um tom meio cuidadoso.
- Tá bom. Hoje não é o dia dela NÃO comprar - eu insisti.
- Moço, você não sabe o que aconteceu comigo. Um camelô desses da rua, me ofereceu um celular por R$ 250,00. Eu paguei o celular, e ele me deu a caixa, depois saiu correndo rápido dizendo que o rapa estava vindo pegar ele - Ela me mostra a caixa do celular, abre a caixa, e dentro dela tem um inesperado sabonete para a minha surpresa.
- Um sabonete!!?! - exclamei entendendo que ela tinha sido enganada.
- Isso, um sabonete - confirmou a vítima estarrecida do golpe.
- Nossa, você comprou o sabonete mais caro do mundo - eu disse de forma risonha.
- Não debocha, eu tô arrasada - se lamenta a mulher.
- Caramba, que sabonete caro - tentei ser mais discreto.
- Hoje não é o meu dia - repete a mulher.
- Pois é - concordei.
- Eu vou querer levar essa sandália aqui tá - apontou para uma sandália vermelha e preta.

Ela levou a sandália, consegui vender para o seu Severino, mas eu fiquei consternado com o golpe. Senti um pouco de pena da mulher, porque nem para tomar banho aquele sabonete de procedência duvidosa servia. Tem que tomar cuidado quando for comprar coisas na rua.



 
O verdadeiro sabonete mais caro do mundo. Custa 2.800,00 dólares.